sábado, 9 de dezembro de 2017

PROCURO AMIGOS PARA RELAÇÃO SÉRIA!


Ao entrar nesta quadra natalícia, venho dizer que estou muito descontente com os meus amigos, pois não tenho amigos a sério, por isso estou à procura deles.

O que é que eu quero dizer com isto? O Eng. Santos Silva emprestou não sei quanto dinheiro (alegadamente foram “só” 24,2 milhões) ao amigo Eng. Sócrates e ainda uma casa em Paris e este teve a possibilidade escolher a cor do chão. Tudo coisas perfeitamente naturais entre amigos, logo os meus amigos estão em falta. Eu sei que nunca pedi emprestado nada, mas não custa nada disponibilizarem algo de semelhante.

Mas, falando em amigos, falemos de outro amigo do amigo. Isto é, Lacerda Machado, um amigo de António Costa, esse mesmo, o Primeiro. O Costa arranjou-lhe um emprego na TAP, que, de acordo com a Sábado (12.04.2016), é um fanático por aviões, dedicando-se a jogos de simulação de voo. Mas vejamos os trabalhinhos ou empreguinhos, ou serão tachinhos que Costa já conseguiu arranjar para o amigo Machado, desde diretor jurídico do Grupo Parque Expo’98 quando Costa era responsável pela pasta; depois, no segundo governo de Guterres, foi secretário de estado. Além das relações que teve com Macau, assim algo estranhas ou com empresas da mesma região. Aconselho a lerem esse artigo da Sábado muito elucidativo.

Mas que tem de especial este senhor Lacerda Machado? Até há poucos dias nada teria a dizer sobre este senhor, além de ter um bom amigo que é António Costa. Como diria a publicidade do Licor Beirão com o Paulo Futre: “Um Governo com 19+1: 19 amigos e mais um para trabalhar!” é isso que eu farei, se algum dia for primeiro ministro. (Guardem este artigo para futura memória e para ver se eu cumpro esta minha primeira promessa eleitoral).

Este senhor Lacerda esquece-se de que, quando estava na outra empresa que foi excluída de ganhar a privatização da TAP, aí sim, se a TAP fosse privada podia e devia fazer os preços que bem entendessem. Mas agora, que ele entrou pela porta do cavalo, não há outro nome que se diga e a empresa é 51% pública, isto é, a sua maioria é de todos os portugueses, incluído os madeirenses, caso ele não tenha percebido. Se tivéssemos um Governo decente, a primeira coisa que faria era retirar o amigo desse lugar de administrador.

A necessidade de os madeirenses residentes no continente virem à Madeira, olha essa: “Que maçada, essa gente querer ir à Madeira no Natal e no Verão. Ópa… Esses madeirenses são chatos.”

Mas “Os madeirenses, todos os anos pelo Natal, pelo Ano Novo e aí pelo mês de Junho têm uma espécie de entretenimento ideal que é queixar-se da TAP”. Espero que o senhor Lacerda nunca tenha que pagar mais de 500 euros para ir a casa, mas deverá ter o vencimento de um ordenado mínimo.

Já agora, o PS-Madeira pediu um pedido de desculpas e o que se teve até agora? Ah… Deixa-me ver… Nada, além do reforço da mesma ideia. Já agora… Que disse o presidente da Câmara Municipal do Porto Moniz, já que está mandatado por Lisboa, sobre o assunto? Finalmente, tenho mais duas questões:

O Bernardo Trindade, na mesma qualidade de administrador não executivo da companhia aérea, que diz deste absurdo das viagens aéreas? E finalmente, o militante do PSD, Miguel Frasquilho, presidente da administração da TAP que terá a dizer?

Para finalizar, e agora mais a sério: é preciso ter cuidado com a revisão do subsídio, não se pode sustentar sozinhos, nós madeirenses, as companhias aéreas, não se pode voltar ao antes da liberalização, temos que entrar num novo rumo. Ao rumo das viagens a um preço justo. Quanto ao Lacerda, apetece dizer: Oh homem vai berda pista!

Artigo publicado na Crónica Siga Freitas - JM-Madeira

sábado, 2 de dezembro de 2017

A cunha virou contacto ou nem tanto assim?


Arranjar emprego ou trabalho, tanto faz, era importante ter um currículo bonitinho, depois veio aquele currículo, que quase todos nós já fizemos, pelo menos, uma vez na vida, que é o Europass. Um currículo sem graça, sem qualquer demonstração pessoal em texto daquilo que se sabe ou se faz.

Contudo, de acordo com a jornalista Rosa Ruela, jornalista da Visão no artigo “Se ainda acredita que vale a pena enviar currículo leia isto” os currículos estão fora de moda. É algo que já havia percebido. Em tempos, fartei-me de enviar currículos – ou “curricula” na versão clássica - e de todos os currículos que enviei só um resultou em entrevista. O que parece ser uma taxa relativamente baixa para a quantidade de artigos que enviei. Em tempos, li uma história superinteressante de um designer que, para conseguir a entrevista, como essa empresa recebia milhares de currículos, colocou o seu dentro da caixa de donuts e ofereceu ao diretor de recursos humanos. É claro que existe sempre estratégias criativas, conquanto muitas são inócuas ou resultam em nada.

Então o que sugere o artigo da Visão? Com base em estudos da Université de Lausanne, na Suíça, e Linkedin sugerem que se deve dedicar a maior parte do tempo à procurar contactos e a conseguir contactos e não perder tempo a enviar currículos.

Esses estudos sugerem que se deve abordar as pessoas nas várias plataformas até estabelecer contactos. De certeza que, assim, irão conseguir mais contactos e até poderão conseguir que o vosso currículo chegue à pessoa certa e consigam o emprego que tanto procuravam. É claro que muitas pessoas associam estes contactos, às “antigas” cunhas, mas, na verdade, conhecer as pessoas e conseguir atingir o objetivo daquele emprego é fundamental. Para os empreendedores e ou empresários, a maior parte dos seus negócios e parceiros são encontrados por acaso, mas esse acaso é criado para acontecer - porque podem conhecer-se em feira, em Web Summit ou congressos. Os contactos são fundamentais para conseguir conquistar-se o que se deseja. Na verdade, os contactos constituem aquilo a que os sociólogos chamam o capital social de um indivíduo.

Aposte! Aposte em conhecer pessoas e aqueles que rodeiam, o seu podem estar aí!

Publicado na Revista Madeira Digital

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

PÁTRIA-MÃE OU MADRASTA?


A República, ou o Governo Português trata a Região Autónoma da Madeira como um filho mal-educado, um filho que não se sabe comportar. Além de ter um elemento que nos vigia, como é o Representante da República (cargo que já devia estar extinto há anos), e isto sem qualquer desconsideração para o titular, que nos merece consideração pessoal, eis que agora o Secretário de Estado Adjunto e das Finanças disse que a Madeira não teve uma política rigorosa para pagar o empréstimo que pediu.

Estas considerações, além de falsas, são caluniosas e, no mínimo, deveriam levar à demissão imediata do Secretário de Estado!

Para que todos entendamos a gravidade das declarações deste secretário de estado. Imaginem que são filhos de alguém que os desconsidera.

E o vosso pai que controla as contas lá de casa, por acaso quer comprar um carro novo, uma casa nova, a casa deve ter piscina e mais uma data de bugigangas sem utilidade, e que se pavoneava entre a família e amigos. Já vocês, que são filhos, estão na “flor da idade”, precisam de investir algum dinheiro na vossa educação, para isso pagam os estudos, e, a certa altura, ficam doentes, tiveram uma daquelas gripes, e têm de pagar as contas dos médicos e hospital. Nisto tudo, gastaram uma pipa de massa, seja na educação, nos transportes para deslocar-se, na vossa alimentação e finalmente na vossa saúde. É claro que têm uns “part time” para tentar sustentar isto, contudo não podem trabalhar a tempo inteiro, pois o vosso pai diz: “Aqui em casa, quem manda sou eu e só eu é que posso trabalhar.” Coisas à moda antiga, tipo Estado Novo.

Perante tudo isto, há um dia em que os empréstimos do vosso pai iam dar para o torto, estávamos mesmo a ver, era insustentável e perante isso têm que recorrer a um tio abastado, tipo Tio Patinhas e empresta com a condição de a cada 100 € que empresta têm que lhe dar mais 40 €, isto é, fica a dever 140 €. Ele, como está endividado até à ponta dos cabelos, não tem outra alternativa a não ser aceitar. Mas, quando chega a casa, austero, como sempre foi, impõe ao filho as mesmas condições, mas também diz: desse dinheiro, aquele que for do tio, dás e ainda ficas a dever mais, mas, como só podes ter uns “part times”, lá terás mais dificuldade em pagar - isto porque o pai não deixa ter um emprego a tempo inteiro.

Afirma: “ainda não tens maturidade para tal.” Mas a verdade é que o filho não pode ir falar com esse “Tio Patinhas”, pois não tem autorização do pai e fica enrolado neste enredo sem que consiga sair. Certo dia, a empresa onde o pai trabalhava dá-lhe uma promoção e um aumento de ordenado e assim consegue pagar algumas contas atrasadas e voltar a endividar-se nos bancos, sem necessidade desse tio. E assim consegue com que o tio, em vez de pagar os 40 € por cada 100 €, reduza para 10 ou 20 €. O que é muito positivo. Contudo, o pai, muito esperto que era, diz ao filho: “como tu andaste nesses luxos, que foi estudar, foste para o médico quando havia umas ervas aqui no quintal que podias usar para fazeres uns cházinhos, como em vez de andares a pé foste nesse luxo que era andar de autocarro, terás que continuar a pagar-me da mesma forma.” Apesar do filho ter cumprido sempre o estipulado, e não há um desafogo, pois tem que ter trabalhos precários sem ter algo definitivo. Alguém acha que este drama familiar é justo? Estaria na altura do filho emancipar-se ou não?

A nossa questão é muito semelhante, nós, Madeira, continuamos a ser família, mas é só para pagar. Não merecemos a confiança do Estado Português em pagar menos taxas de juros, não nos podemos financiar a juros mais baixos e o Estado ainda nos repreende. A verdade é que também não nos podemos emancipar financeiramente, não podemos criar o nosso próprio sistema fiscal e aí crescer de forma sustentável. A dívida que se fez foi investimento, investimento na educação, na saúde, nas redes viárias e etc. Mas o Estado, que gastou em bugigangas, bancos e nada investiu no país profundo, acha que merece ditar as nossas regras.

Publicado no JM-Madeira

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

PECADO? - “ADMITEM SER UMA MULHER BONITA”!


Estes dias, têm sido marcado pelo nascimento de uma menina, cujo nome se desconhece. O nascimento, só por si, é alegria no seio de uma família seja ela qual for. A questão aqui é que houve um homem, que, por acaso é padre, e assumiu a mesma como sua filha. Este teve a coragem, não de assumir um erro, porque uma criança nunca é um erro, a coragem de fazer o que muitos homens neste planeta não têm coragem de fazer.

Já o Direito Canónico, apesar de não ser experto em direito, muito menos canónico, fui ao Dr. Google e encontrei o seguinte: “Cân. 988 Parágrafo 1. O fiel tem a obrigação de confessar, quanto à espécie e ao número, todos os pecados graves de que tiver consciência após diligente exame, cometidos depois do batismo e ainda não diretamente perdoados pelas chaves da Igreja, nem acusados em confissão individual.”

Penso que, neste caso, o batismo da criança irá resolver a questão essencial.

A verdade é que o Sr. Padre do Monte abriu novamente uma discussão, pelo menos, na nossa terra e restante país à beira mar plantado, e que é esta: “Deve um padre constituir família?”

Confesso que não sei responder, mas há muitos que sabem.

Mas todos aqueles que comentam nas redes sociais, concordam e elogiam a postura do Sr. Padre, já outros, mais conservadores, acham que não motivo para isso. Mas vamos a estas passagens da comunicação social regional:

“(…)detractores do sacerdote admitem [a mãe da criança]ser uma mulher bonita (…)” - os difamadores ou detractores ou, como se diz na nossa terra, “os vida alheia”, acham que a mulher devia ser feia, então já viram: “uma jeitosa daquelas meter-se com um padre”. Afinal, o problema dos detractores é a rapariga não ser uma mulher muita feia, porque esta… ora… até eles cometiam o pecado.

Agora outra parte muito gira de todo esse artigo é a seguinte:

“um dos aspectos que tem causado indignação, em especial, junto das mulheres que acompanham a vida paroquial de perto, é o facto da pessoa em causa ser mãe de outros dois filhos, gémeos de cinco anos.” – Esta parte faz parecer que as beatas, pois é o nome que se dá às mulheres que acompanham de perto a vida paroquial mais no rito que na substância, acham: “estava eu aqui, sempre disponível para o serviço e veja-se…” Foi “com uma que já tinha filhos gémeos”! Sinceramente, alguém acha que isto faz sentido?

Caros amgios, acho que este momento é de debate interno na Igreja Católica, mas também de reflexão pessoal do Sr. Padre Giselo.

Já agora, há que pensar na criança, na menina, que não conheço, nem sei o seu nome, mas com toda a certeza que deve ser uma linda menina. Essa merece toda atenção, toda a proteção e esta deve estar protegida de todo este mediatismo, pois ela irá crescer e seja o que for que o futuro lhe reserve, deve estar bem protegida e preparada para todos os “detractores” a quem importa mais a aparência que a essência da vida. Há uma nova vida. E a vida nunca é pecado. Festejemos! Aleluia!

Artigo publicado no JM-Madeira

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Gravidez, parto e amamentação, os 3 testes de resiliência sem concorrência

Sermos nós - só o somos devido à existência de uma mãe, a nossa. A verdade é que, no empreendedorismo, inovação e também no emprego, a mulher, e em especial as mulheres grávidas, e, posteriormente, as mães sofrem de uma determinada discriminação. Um dos pontos é que as mães fazem uma pausa na sua carreira, isto é, abdicam, em parte, da sua carreira para criar uma criança, criar um novo ser humano.

Mas a verdade é que a mulher, enquanto grávida e também enquanto mãe, adquiriu competências que os outros seres humanos não possuem, em especial a capacidade de superação, a capacidade de serem mais criativas, designers, são na verdade super humanos. Nestas capacidades que desenvolve, muitas vezes conseguem empreender e inovar, criando os seus próprios empregos. Mas a verdade é que outras sentem dificuldade e ou não é esse o seu objetivo, mas sim regressar ao seu emprego ou ter um emprego.

E a certa altura as empresas irão questionar: “o que esteve a fazer neste tempo parada, sem trabalhar?” Na verdade é que a mulher, nesse tempo todo, teve oportunidade de adquirir novas skills que poderão superar novos desafios propostos pela empresa.

Para solucionar este desafio, eis que surgiu o site/empresa americano: thepregnancypause.org que ajuda as mães a completar e continuarem a preencher o seu currículo. Esta é uma empresa que permite as mães adicionarem no Linkedin como se estivessem lá a trabalhar, e nesse tempo descrevem todas as experiências novas que têm tido. É claro que podem contactá-los e eles darão ideias de como completar o seu currículo no Linkedin.

A minha esposa, como estava a sair de um programa de emprego, quando foi mãe, tomamos a opção de ela ficar em casa durante 11 meses até o nosso bebé entrar na creche. As capacidades que ela adquiriu foram imensas, em especial a de superação e de lidar com stress, mas também situações extremamente complexas e novas. Foi médica, enfermeira, motorista, professora, cozinheira e outras tantas coisas durante os 11 meses que esteve em casa. Conseguiu acabar sempre os dias com o bebé a dormir, mas ambos com um sorriso nos lábios.

Ser mãe não são férias, são, sim, um emprego 24 por 24 horas.

Artigo publicado na Revista Madeira Digital

domingo, 29 de outubro de 2017

DOU TUDO!


Finalmente, finalmente temos um presidente de todos os portugueses, um que está com o Povo, não está acima, nem ao lado, é parte integrante do Povo. Foi para isto, que os nossos antepassados lutaram pela República contra quaisquer genes da monarquia.

Toda esta proximidade volta a revelar a importância de existir bons políticos como parte integrante do Povo. Se calhar, o Presidente da República Portuguesa, Professor Marcelo Rebelo Sousa, merecesse que o nosso sistema político fosse o Presidencialismo, sem necessidades de burocracias e ministros que queriam era gozar férias. Mas não se recordam que existiram pessoas que, nos próximos anos, não terão férias, pois perderam tudo e outras perderam a sua vida, sem que possam ter qualquer dia de descanso a não ser o eterno.

As histórias são várias, mas estas recentes dos incêndios no centro e interior do país são verdadeiramente comoventes, uma dessas foi revelada pela revista Sábado. A senhora Maria da Conceição que, perdeu praticamente tudo com estes incêndios, pegou numas das únicas coisas que lhe tinha sobrado nos escombros da sua casa, uma garrafa de aguardente e uma caixa que tinha feito, e entregou ao Presidente Marcelo. Ele tentou recusar, mas esta insistiu em lágrimas, tal como mostrava as fotos da Lusa e o presidente reconfortava-a com um abraço bem forte e um beijo na sua cara de quem tudo perdera, mas não uma vida de esforço e agora terá que recomeçar. O Presidente, perante tamanha generosidade disse: “Quem precisava de receber tudo era ela e ela deu-me a mim aquilo que era do pouco que lhe restava, uma garrafa de aguardente com uma caixa que tinha feito, no meio de escombros.”, mas também o Professor Marcelo surpreendido garantiu à senhora Maria da Conceição que não ia beber a aguardente e sim guardá-la o resto da vida. Já a senhora que tudo perdeu, menos o seu grande coração e amor com grande demonstração disse ao Presidente: “O senhor é o Presidente do Amor, Deus o ajude e guarde.”

O exemplo da senhora Maria da Conceição é a demonstração clara do que são os portugueses.

Ao ler esta história, recordei-me de outra passada cá na Madeira, e contada por um dos protagonistas, espero não estar a cometer nenhuma inconfidência, pois esta é daquelas histórias que todos devem conhecer. Quando o Gonçalo Nuno era presidente da SPAD, deu uma entrevista à RTP-Madeira em que alertava para as dificuldades por que passava a SPAD, nomeadamente na alimentação dos animais e outros.

​No dia seguinte, quando ele estava a sair da SPAD, eis que se chega à entrada uma senhora, de origem humilde, não uma sem abrigo, mas quase, e a primeira sensação que o Gonçalo teve foi: “vou dar uma moeda à senhora…” e eis que ela diz-lhe: “ontem eu vi-o a falar na televisão, eu não tenho muito, mas trago este pacote de leite para dar aos animais, pois todos precisamos ajudar.” Esta história desta senhora anónima é a demonstração que aqueles que menos têm são capazes de dar o pouco que têm para ajudar os outros.

E tal como o Gonçalo disse e bem: “desconfia sempre de um homem de fato e gravata, pois vem pedir-te algo, já os outros não esperam nada e vão dar-te tudo o que têm.”

Como no texto em que Jesus se senta à porta do templo a ver os esmoler que vão deixando cair as suas dádivas na caixa do templo e repara que aquela que mais deu em proporção do que tinha era uma pobre viúva. - Em verdade vos digo, esta mulher ganhou mais graças no Céu com o pouco que deu, pois lhe fazia falta, ao passo que os outros, por mais que hajam dado, deram o que lhes sobrava! – sentenciou o Mestre.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

INDEPENDÊNCIA DA MADEIRA? SIM


Já chamei a vossa atenção com o título? Então falemos da Catalunha, mas também em parte da Madeira!

Nenhum país merece existir no espaço latino, devíamos ser só um país, pelo menos aqueles territórios que os Romanos dominaram, pois, historicamente, foi assim. Este argumento só por si é idiota, mas é certo que temos algo em comum.

Onésimo Teotónio Almeida, um professor e filósofo açoriano numa universidade americana, afirmou algo com que qualquer um tende a concordar: “Quando fui para a Terceira percebi que era micaelense. Na Madeira, senti-me açoriano. Em Lisboa, vi que era insular. Em Espanha, reconheci-me português. Em Paris, já era ibérico, nos EUA, europeu. Na China, achei-me decididamente ocidental. Se um dia for a Marte, hei-de sentir-me terrestre.”, isto quer dizer que todos nós temos as nossas culturas, até “mini-culturas”, cá por exemplo um funchalense é diferente de um santacruzense e por aí adiante…

Com esta pequena introdução quero dizer que a Catalunha, como é óbvio, possui tantos motivos para ser independente e outros tantos para não o ser. A verdade é que Castela age como se ainda fosse o império do século XVI, mas esse império já lá se foi há muito. Castela não permite que uma região decida o seu futuro, acredito que até a maioria dos catalães votariam contra a independência, logo tudo continuaria assegurado. A questão maior é: mas como minimizar estes prejuízos?

Para começar será ouvir os catalães, ouvir o que desejam para a sua região, não basta dizer “não há motivos históricos”, mas sim ouvir o que eles têm a dizer. A atitude de imperialista nunca resultou, foi isso que Portugal fez com as antigas Colónias, quando não os permitiu terem autonomia. Penso, que este é o momento de Espanha pensar num estado federado, um estado federado alargado em que cada nação-estado no seu interior consiga decidir o seu futuro.

Portugal também deverá olhar para as suas regiões e pensar na regionalização, mas não pensar em mais lugares para dar a políticos, mas sim reduzir a classe política e fazer uma reforma administrativa correta e pensada sem pensar nos lugares e no bairrismo, mas sim na globalidade da região. A Madeira, por exemplo, necessita de seguir o seu caminho e não pode continuar presa a um sistema fiscal amorfo sem que consiga atrair empresas, necessita alargar a Zona Franca, necessita de ter uma nova relação com a UE como as ilhas do canal, precisa de ter maior decisão política, desburocratizar a contratação pública, ter maior capacidades de comunicações, sejam marítimas, aéreas, mas também de telecomunicações.

Na Catalunha, ontem, Carles Puigdemont não pronunciou as palavras proferidas por D. Pedro IV a quando do grito do Ipiranga, “Independência ou morte!”, mas o centralismo terá que ser derrotado, é uma questão de tempo, a solução é Madrid negociar e aceitar transformar Espanha numa Federação, como propõe o PSOE, essa é a solução pacifica. Já a problemática e menos amistosa será a independência, em que poderá acontecer uma guerra civil e que acabará sempre com a independência.

Já nós, se calhar, ainda não temos maturidade suficiente para entender a necessidade de mais autonomia, mas chegará esse dia em que não aceitaremos mais o centralismo, em que deixa de existir uma capital do império!

Artigo publicado no JM-Madeira